Vida Consagrada en comunión: Forum sobre Interculturalidade

P. Arlindo Diaz PereiraEste grupo estava formado por missionárias e missionários de diferentes Institutos de Vida Religiosa e Sociedades de Vida Apostólica provenientes do Brasil, Filipina, Mozambique, Portugal, Slovakia e Timor Leste; dirigido pelo Pe. Arlindo Pereira Dias, svd.

Começamos o nosso encontro de partilha, com uma breve reflexão visual sobre a explosão da vida – “Human Planet” da BBC 1, que entre outras muitas mensagens que podemos captar, uma das mais claras para ajudar a nossa reflexão do dia foi que “desde o princípio existia a diversidade e não a uniformidade” e que todas as formas de vida, de uma ou outra maneira, tinham que lutar para sobreviver.

Continuamos com a reflexão dirigida pelo pe. Arlindo e partilhada também pelos participantes, que intento resumir no seguinte.

Muita gente de boa vontade, muitas pessoas consagradas, ao longo da história da Igreja, estiveram e estão fazendo realidade, o envio missionário de Jesus “Ide e fazei que todas as nações se tornem discípulos meus” (Mat 28,19). Mesmo que a partilha da fé, estava sempre acompanhada por inúmeras boas obras caritativas e sociais, que contribuíram e contribuem para o desenvolvimento integral de muitos povos; temos que reconhecer e admitir que também estava acompanhada de confronto. Nalguns momentos da história, a evangelização e a colonização não estavam devidamente separadas. A compreensão de evangelização como “levar a Deus”, muitas vezes limitou a nossa compreensão e capacidade de reconhecer de que o Nosso Bom Deus, na sua misericórdia infinita, desde o prncipio, já se encontrava presente e agindo em cada ser humano e em cada cultura que semeou ao redor do planeta, com suas riquezas, diversidades e obviamente, limitações.

Hoje, podemos dizer que com a evolução do conhecimento antropológico-social, também a consciência eclesial (manifestada em tantos documentos eclesiais), estamos mais cientes da caminhada intercultural reconhecendo que todos os grupos sociais são sujeitos de uma cultura própia, diversa. Ao mesmo tempo que reconhecemos a existência de uns valores universais que nos unem, como a cultura de justiça, de paz, de solidariedade, de trabalho, de democracia, etc. Sem negar que nalgum momento da história também existia a que chamamos “cultura cristã” que com o nosso conhecimento e consciência actual, dizemos que foi mais bem o aprisionamento do cristianismo a um modo particular e regional de vida; agradecemos todo o processo percorrido de reconhecimento até aos nossos dias de hoje, acompanhados por várias declarações por parte da Igreja a travez dos seus documentos eclesiais como o Evangelii Nuntiandi, Gaudium et Spes, etc, se está acrescentando esta profunda consciência de que “o Evangelho não se identifica com a cultura e é independente de tudo”.

Também em varias partes do mundo, se está assumindo a cultura como processo civilizador, onde muitos estamos progressando nesta aceitação e vivência de cada cultura como diversa, diferente, que contem em sí a sua própria importância, a sua própia “sacralidade” digna de ser respeitada e valorada. Estamos progressando neste caminho de superar os preconceitos desta dicotomia de “cultura superior e cultura inferior”, nem menos de “culturas modernas e culturas atrasadas”.

Mesmo assim, podemos dizer que com o avance da modernidade onde o mundo está tornando-se numa “aldeia global” donde todo e todos se inter-relacionam, e de uma ou outra maneira, se influenciam mutuamente; podemos dizer que traz consigo também a ameaça para a identidade de muitos povos ou grupos sociais (culturas) mais frágeis. Outro aspecto não tão positivo é a superestructura do domínio económico (a imposição da economia como força determinante).

Ao partilhar sobre a multiculturalidade hoje, vemos que existe muitos e grandes desafíos que preocupam a vida Interculturalidadereligiosa, o ser missionários de agora. Porque nesta era de globalização, onde a mobilidade de massas humanas, de pessoas, é tão alta e constante, por razões econômicas, politicas ou de guerras, nem sempre (ou na maioria das vezes) temos soluções concretas ou respostas feitas. Mas sim que sempre devemos ser testemunhas de verdadeiros cristãos, da catolicidade ou universalidade do nosso ser cristão: “de que Deus é Pai e todos somos irmãos”.

Esta catolicidade e universalidade é uma realidade bastante comum em nossos Institutos; muitas das nossas comunidades são internacionais (interculturais) porque estão formadas por membros provenientes de diferentes países. Esta realidade interna torna-se dom e desafio, de sermos testemunhas credivéis de unidade e fraternidade, de sermos sinais visivéis da misericórdia de Deus nas desafiantes realidades ao nosso redor. Hoje a interculturalidade é uma realidade contundente e uma exigência do mandato missionário que afrontamos com esperança, sendo ao mesmo tempo portadoras e portadores de esperança.

Ir. Fabiola Gusmao (UISG Staff)

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